ALGUMAS REFLEXÕES SOBRE EDUCAÇÃO

Proposta de criação de Blog para fins educacionais na Escola Parque

          Segundo Silva (2012), Anísio Spíndola Teixeira criou, em 1950, o Centro Educacional Carneiro Ribeiro, mais conhecido como Escola Parque da Bahia, em Salvador (BA). Este centro atendia a população dos bairros Liberdade, Caixa d’água, Pero Vaz e Pau Miúdo e era constituído de quatro Escolas Classe e uma Escola Parque. Baseado neste modelo do Centro Educacional Carneiro Ribeiro de Salvador, que resgata a idéia de uma educação integral, foi organizado o Sistema Escolar de Brasília.
           De acordo com o Projeto Político Pedagógico da Escola Parque 303/304 Norte (2010), no dia 21 de abril de 1977 inaugurou-se esta escola. O documento cita ainda que o objetivo das escolas parques criados em Brasília era o de “complementar o ensino curricular das escolas classe, considerando a evolução natural do ensino da Arte e da Educação Física e as prerrogativas da Proposta Educacional em vigor”.
E ainda descreve, neste referido documento, que a Escola Parque 303/304 Norte adota no seu contexto uma proposta curricular voltada para a formação da cidadania, propiciando o desenvolvimento de competências e habilidades por meio do ensino da Arte e Educação Física. Essas áreas de conhecimento têm como eixo metodológico à ênfase nas aprendizagens significativas de forma integrada com os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN’S).
          No entanto, a educação pública brasileira de um modo geral e, em especial, a Escola Parque 303/304 Norte não acompanhou os avanços tecnológicos dos últimos tempos, seja pelo alto custo de investimentos e manutenção de equipamentos, pela burocracia ou por falta de interesse, criando uma defasagem enorme no que se refere à integração das tecnologias de informação e comunicação (TIC's) como aliadas no processo educativo.
Pensando em amenizar este atraso, no sentido de contribuir com as práticas educativas, e para minimizar a falta de comunicação entre a escola e a comunidade escolar em geral, o presente projeto piloto de implementação das TIC's pretende criar um blog próprio para divulgar as atividades no setor de Educação Física do turno vespertino da Escola Parque 303/304 Norte, a fim de ser o início para do desenvolvimento de um processo de reflexão, redirecionamento das ações e causar uma evolução na inserção das TIC's no ambiente da referida escola.
           Segundo Cysneiros (2006), a Internet está se tornando a ferramenta mais importante de comunicação das instituições com as pessoas a elas relacionadas.
           Para Cysneiros (2006), uma página web é considerada como mais uma tecnologia educacional, um objeto integrado com a escola, condicionado por concepções de ensinar e aprender.

Justificativa

          Normalmente a comunidade escolar da escola parque participa somente nos eventos festivos. No que diz respeito a outros tipos de reunião (pais e mestres ou do Conselho Escolar) a participação da comunidade é muito baixa, faltando assim, a valorização necessária por parte da mesma.
           Diante da constatação que a comunicação e divulgação das ações e dos projetos pedagógicos que são realizados na Escola Parque da 303/304 Norte, é deficiente e muitas vezes ineficaz e, pensando em melhorias nesta comunicação, a criação de um blog próprio da escola poderá ser utilizada como um recurso útil para a realização deste propósito.
De acordo com a pesquisa realizada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística)[1], a população com acesso à Internet e celular por Estado em 2011 é de 46,5% da população. E, no Distrito Federal e em São Paulo foram registrados os maiores índices do país com 54,6 a 71,1% da população.
          Portanto, este recurso de comunicação entre escola/estudante/família/comunidade, pode ser utilizado como um recurso de fácil e acessível alcance com vistas na melhoria da comunicação.
           Para Marinho (2007), blog é um recurso de publicação virtual, sendo um instrumento útil e versátil de rápida difusão de informações via Internet.
Para o autor, devido ao fato do blog ter a tecnologia empregada na sua criação e publicação ser bem simples, qualquer pessoa que possua um pequeno domínio de uso do computador pode criar e manter um blog. Basta ter um acesso à Internet, ser cadastrado em algum dos serviços disponíveis e ter um conteúdo para alimentá-lo. A criação de um blog pode ser feita sem custos e sem que a pessoa tenha domínio na linguagem de programação HTML.
          Os blogs são um meio para que pessoas se comuniquem com outras, tendo como base ou ponto de convergência seus interesses ou a simples curiosidade. Eles são, hoje, parte de uma crescente conjunção de ferramentas de comunicação pessoal e de informação. (MARTINHO, 2007)
          Sobre a utilização de blog Araujo afirma que, na educação pode contribuir para a formação de novos ambientes virtuais de aprendizagem, estimulando processos colaborativos de construção de conhecimento, possibilitando o processo de autoria e de autonomia entre alunos e professores (ARAÚJO, 2009, p.16).
          Diante disto, é de relevância significativa que toda a comunidade escolar seja despertada para a introdução das TIC's como aliada no processo educativo em um ambiente propício ao diálogo, de interação e construção do conhecimento.
           No entanto, já houve duas tentativas de criação do blog da escola por iniciativa própria de dois professores diferentes e infelizmente nenhum deles encontra-se ativo no momento, por diversos motivos. Para evitar que novamente este fato ocorra, a proposta de criação do blog que se refere este projeto inicialmente será destinado a apenas algumas turmas da escola e as ações pedagógicas coletivas que envolvem o setor de educação física do turno vespertino.

 Objetivos

O projeto de criação do blog da escola parque pretende atingir os seguintes objetivos:

  • Envolver e aumentar a interação da comunidade escolar nas ações pedagógicas e administrativas;
  • Ampliar a comunicação entre todos os segmentos;
  • Divulgar informações sobre diversos assuntos pertinentes;
  • Apresentar os conteúdos apresentados em sala de aula;
  • Tornar público os projetos educativos desenvolvidos na escola;
  • Indicar sites para consulta ou para a realização de atividades pedagógicas adicionais;
  • Sugerir softwares, vídeos, imagens, jogos e demais ações que contribuam para o desenvolvimento dos projetos e/ou conteúdos ministrados nas aulas;
  • Compartilhar pensamentos, textos e visões de mundo;
  • Propagar os trabalhos e projetos dos alunos e professores para todos os setores;
  • Informar as ações comunitárias, esportivas e/ou culturais.

Proposições

          A Escola Parque 303/304 Norte está situada na EQN 303/304 Norte, Área Especial –Asa Norte, Brasília (DF) CEP: 70735-400 e é uma escola da rede pública de ensino do Distrito Federal que oferece atividades pedagógicas nas disciplinas: artes visuais, artes cênicas, música e educação física. As escolas tributárias atendidas pela Escola Parque da 303/304 Norte, no ano de 2013, são: Escolas Classes 106, 302, 304, 306, 403, 405 e 708 Norte, EC do Varjão e EC da Granja do Torto.
           A escola atende nos dois turnos aproximadamente três mil e duzentos (3.200) alunos entre meninos e meninas na faixa etária situada entre 6 a 14 anos, que compreende desde o 1° até o 7°ano, do Ensino Fundamental, além de alunos portadores de necessidades educativas especiais e alunos inseridos em classes especiais. O funcionamento da escola é bom já que os alunos freqüentam a Escola Parque em dias separados de acordo com a idade/série.
          Apesar de estar situada em uma área considerada de classe média alta e da sua proximidade física com as escolas tributárias, os alunos atendidos pela escola parque são provenientes, em sua grande maioria, de uma classe social mais baixa, residentes em diversas regiões administrativas do Distrito Federal e entorno.
          O número de funcionários da escola é suficiente, porém, devido à falta ao serviço por diversos motivos, muitas vezes a qualidade do atendimento ao aluno/comunidade escolar é prejudicado.
          A equipe é formada por profissionais habilitados e especializados de acordo com a sua área de atuação. O corpo docente desta escola tem boa formação ética e profissional, compromisso com a educação, a fim de garantir a qualidade de ensino e aprendizagem do educando. A média de tempo de casa é de aproximadamente 05 anos. Atualmente a escola não está oferecendo nenhuma formação continuada para servidores e professores, porém alguns professores estão fazendo curso de aperfeiçoamento na Escola de Aperfeiçoamento dos Profissionais da Educação (EAPE) e demais instituições.
          As práticas docentes são na maior parte coerentes com a fundamentação teórica do currículo adotado pela Secretaria de Educação, no momento em que, são realizados projetos que contemplam a valorização do educando com ser humano que já possui conhecimentos prévios que são refinados em sua prática escolar; tornando-os aptos para atuarem no meio em que vivem, como agente de mudança em função das necessidades individuais e coletivas. A escola desenvolve projetos pedagógicos coletivos. O projeto norteador principal é definido ao final de cada ano e, na semana pedagógica no início do ano subseqüente, são definidas as metas e as ações pedagógicas que serão realizadas durante todo o ano letivo. Os demais subprojetos vão sendo elaborados e executados ao longo do ano.

Considerações Finais

          Considerando o que foi exposto neste projeto, é fato que a escola não pode mais tornar-se alheia aos avanços tecnológicos existentes hoje em dia. Obviamente não há como acompanhar o ritmo destas mudanças, porém devemos enquanto educadores e formadores de cidadãos, estarmos atentos e buscarmos uma capacitação mínima necessária a fim de melhorar de forma significativa o processo de interação e comunicação em todos os níveis.
          Tornar a escola atraente com todas as ferramentas e tecnologias da atualidade não é uma tarefa fácil. No entanto, é nosso dever nos apropriar e utilizar desta linguagem na tentativa de aumentar as possibilidades de aprendizagem e comunicação.

 Referências Bibliográficas


ARAÚJO, Michele Menghetti Ugulino de. Potencialidades do uso do blog na educação. Dissertação de Mestrado. Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Natal, 2009.

CYSNEIROS, Paulo Gileno. Gestão de Tecnologias da Informação e Comunicação na Escola. Recife, 2006.

MARINHO, Simão Pedro P. Blog na Educação & Manual Básico do Blogger. 3ª Edição. Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2007.

SECRETARIA DE EDUCAÇÃO DO DISTRITO FEDERAL. Projeto Político pedagógico da Escola Parque 303/304 Norte. Brasília, 2010.

SILVA, Maria Wanuza Marques. Construindo o texto dramático no contexto escolar: fundamentos e registros de um texto colaborativo.Programa Pró-Licenciatura em Teatro, Universidade de Brasília, Brasília, 2012.


A construção da identidade da escola por meio do projeto político-pedagógico e da proposta curricular.

            O currículo é o coração da escola. É através dele que todo o funcionamento escolar é planejado e organizado. Com ele podemos efetivar as questões prioritárias no que se referem à efetivação do direito à educação.
            O currículo escolar é de fundamental importância para o direcionamento do trabalho pedagógico na escola. Este documento caracteriza-se por ser um conjunto de ações intencionais que irão direcionar as práticas e os saberes pedagógicos ao longo do ano letivo.
            É desejável que esteja contido no projeto político pedagógico (PPP) a linha de pensamento da escola, a sua filosofia, todos os direcionamentos, procedimentos pedagógicos e a sua relação com o meio social dos estudantes, em outras palavras, as suas reais intenções educativas.
            No entanto, é importante lembrar que outro tipo de atividade existe no cotidiano escolar e que nem sempre está explicitamente descrito na proposta, mas que também está indissociável da prática pedagógica, que é denominado de currículo oculto. Neste currículo entram as questões interpessoais que se referem aos conflitos (bullying, valores, uso do espaço coletivo, furtos, violência, questões de gênero, preconceito, etc.).
            Nas discussões a respeito do currículo e do PPP é válido que sejam consultados os documentos oficiais como a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), as Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN), os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) e as propostas curriculares de cada secretaria estadual ou municipal para que seja garantida a legitimidade do documento. Além disso, é recomendável que exista o aprofundamento no que se refere aos estudos e pesquisas já existentes nesta área, tanto a nível nacional como internacional.
            O importante nisto tudo é lembrar que o tema gerador na construção de um currículo ou plano de ação deve ser o do conhecimento escolar, ou seja, a escola deve estar corretamente esclarecida sobre a importância da atividade pedagógica coletiva e que esta deve girar sempre em torno do sujeito central da ação: os educandos.
            Por isso, valorizar o espaço de coordenação é condição exigida na atuação do gestor no sentido que este espaço e tempo foram criados para que os professores percebam que o foco da sua prioridade e atividades de docência deve ser voltado para que o estudante tenha acesso ao direito a uma educação de qualidade. Essa investigação deve ser iniciada levando-se em conta a questão da identidade dos estudantes, inclusive no que diz respeito às questões sociais, na tentativa de minimizar a desigualdade. Não podemos deixar de ter o olhar crítico e a sensibilidade para perceber quais são os quesitos mais emergentes da escola e dos alunos, quais são as suas demandas, o que é importante levar em consideração para que sejam atingidos os objetivos e uma aprendizagem, de fato, significativa.
            Faz-se urgente e necessário que a escola repense o seu plano de trabalho, suas metas e ações. Para desconstruir e reestruturar o PPP e sua prática é indispensável que nos indaguemos a respeito de algumas questões fundamentais, como por exemplo: o que ensinar? Como ensinar? Quem é o meu estudante? Qual a relevância deste conteúdo para a sua vida acadêmica, social e cultural?  Como organizar a estrutura da escola de forma que o conhecimento selecionado seja de fato socializado? Quais as condições ideais para que isto ocorra? 
           Uma frase lida em um texto acadêmico chamou-me bastante atenção e reflexão: "A distância entre a cultura escolar e a cultura social (ou as culturas sociais) é tão grande que os estudantes têm o sentimento de viver em dois mundos completamente distintos". Penso que de fato, se não tomarmos uma atitude de rever os nossos posicionamentos frente às questões sociais e culturais, colocando a educação na perpectiva da formação e do desenvolvimento humano pleno, em prol do direito à educação e a sua democratização, cada vez mais  as exigências curriculares e as condições de garantia à educação e ao conhecimento estão sendo distanciadas das condições de precarização que atingem a vida de grande parte dos nossos estudantes. 
         Portanto, acredito que é dever do gestor, dos professores e da comunidade escolar se mobilizarem no sentido de  unirmos forças para garantir efetivamente o direito à educação de qualidade, ao conhecimento e à cultura de todos os nossos educandos, indistintamente.


Papel do Estado e do gestor na concretização de políticas que buscam assegurar os direitos à educação.


             Hoje em dia, na sociedade em que vivemos, torna-se impossível à convivência das pessoas sem que os direitos e os deveres dos cidadãos e porque não dos animais, da natureza entre outros, sejam conhecidos, respeitados e cumpridos.
            E, como tal, existem também diversas leis, pareceres e resoluções contendo princípios, regras e diretrizes já estabelecidas no que se refere ao primeiro direito social que é o direito à educação.
            No entanto, como qualquer direito a ser reconhecido e legitimado, torna-se necessário que o mesmo seja garantido e efetivado. E, para que isto ocorra é fundamental que o gestor no seu papel de líder, declare, assegure e cobre responsabilidades de quem é dever respeitá-lo e cumpri-lo, pois o grau de conhecimento e a sua implementação são fatores decisivos para o sucesso escolar.
            Portanto, é dever do Estado garantir a oferta de ensino gratuita, obrigatória, de qualidade e com igualdade de condições, que assegure a pluralidade de idéias bem como a valorização da diversidade cultural e que garanta a permanência de todas as pessoas maiores de seis anos, na educação básica. Lembrando que também deverá ser ofertada para os jovens, adultos e idosos que assim o pleitearem e que cabe ao Ministério Público a defesa para que tais medidas sejam cumpridas.
            Como gestor, este deve ter como meta de trabalho possibilitar e facilitar a todos, os conhecimentos e as habilidades necessárias para que as pessoas tenham acesso às informações e que possam atuar na sociedade e, para tal, é fundamental que seja incentivado à qualificação dos profissionais, seja em cursos de formação continuada, presenciais ou à distância para que possam agir de maneira crítica e reflexiva no seu campo de atuação.
            Com profissionais bem formados e comprometidos com a educação, o gestor poderá, como representante do Estado, utilizar-se do projeto político pedagógico para envolver todos os segmentos da comunidade escolar seja na sua elaboração, efetivação, acompanhamento e/ou avaliação. O projeto político pedagógico trata-se de um documento que deve ser construído coletivamente na busca de uma educação que priorize a qualidade, já que este deverá ser o princípio norteador de uma gestão democrática.
            O gestor comprometido com uma educação de alto padrão deve estar atento a alguns fatores importantes, não somente ao que diz respeito ao acesso à escola, mas também no sentido de se responsabilizar e zelar juntamente com os pais e responsáveis sobre questões relativas à freqüência e o rendimento dos estudantes. É direito da família obter todas essas informações, inclusive sobre a proposta pedagógica e a sua execução. Cabe ao gestor notificar aos órgãos competentes como o Conselho Tutelar e ao respectivo representante do Ministério Público, os casos de estudantes que apresentam a quantidade de faltas superior ao percentual permitido em lei. Além disso, é preconizada no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) – Lei nº 8.069/90, e também consta na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) – Lei nº 9.394/96 assegurar o acesso à escola pública e gratuita próxima a sua residência.
            O gestor deverá estar preocupado em como está o desenvolvimento do processo de ensino/aprendizagem, além de suprir as necessidades físicas e materiais da escola, verificar a qualidade da merenda ofertada e a segurança no que se refere ao transporte dos estudantes.
            Além disso, é fundamental que o gestor e demais profissionais envolvidos no âmbito escolar, cuidem da segurança dos alunos e professores dentro da escola através de medidas e atos administrativos para que se haja um ambiente de respeito mútuo e cumprimento das normas e regras de convivência, vindo a coibir qualquer tipo de violência e, preferencialmente, buscando a resolução dos conflitos de forma dialógica, respeitando-se as diferenças e os valores culturais, artísticos, históricos, sociais, entre outros.
            Na tentativa de se buscar um nível elevado na educação pública, o gestor deverá ter como missão, garantir o pleno funcionamento da instituição de modo que fique bem claro e acessível a todos, a forma de organização pedagógica e administrativa da escola, a rotina de funcionamento, os conteúdos curriculares desenvolvidos, os processos avaliativos e de recuperação, além de estar sempre articulado com a Secretaria de Educação.
            Enfim, são muitos os direitos e deveres pertinentes na esfera educativa e o gestor, assim como também os demais envolvidos na promoção de uma educação que prime pela qualidade, deve estar ciente e defender esta meta e objetivos para que sejam alcançados e mantidos.
            Na verdade, precisamos unir esforços para oferecer o acesso, a permanência e o status de uma educação de excelência a todo cidadão, indistintamente. E, ao gestor no seu papel de liderança, caberá demonstrar e tornar-se exemplo no que se refere ao seu nível de competência, talento, comprometimento e atuação como agente de mudanças, capaz de criar mecanismos e condições necessárias para que, coletivamente, possamos atender o que é preconizado na legislação.
          Esta é em minha opinião, a verdadeira gestão contemporânea e democrática que procuro enquanto cidadã e professora, a que articule, respeite, dialogue e que atue com ética, transparência e impessoalidade, que seja criativa e flexível, capaz de cumprir com as suas responsabilidades sem deixar de encorajar os outros a participar da liderança.

 Proposta de avaliação institucional

 Identificação Institucional

            Nome: Escola Parque 303/304 Norte

Referencial Teórico

            Hoje em dia, escuta-se muito frequentemente o termo de qualidade em educação. Foi-se o tempo que pensar em qualidade na educação restringia-se apenas ao acesso e permanência da população na escola. Com a garantia do direito à educação pública e gratuita a todos devemos também, enquanto cidadãos críticos e conscientes, ter outra preocupação, a de refletir a respeito da qualidade da educação que é ofertada nas instituições.

            De acordo com Ribeiro (2005, p. 239), devido à multiplicidade de referências bibliográficas, empíricas e conceituais, produziu-se um quadro multifacetado, heterogêneo e complexo, do que poderia ser o conceito de qualidade em educação. Este fato inviabiliza adotar um conceito único e totalizador a respeito deste conceito.

            No entanto, a solução apontada por Ribeiro (2005, p. 239), foi formulação de um sistema de mensuração da qualidade que coloca, nos próprios sujeitos, a prerrogativa de atribuir valores às diferentes dimensões da realidade escolar.

            Para Ribeiro (2005, p.235), é preciso buscar métodos de avaliação que fomentem o debate coletivo, em que estejam envolvidos todos os sujeitos participantes, como condição essencial para que se produzam mudanças na realidade da instituição educacional, fortalecendo desta forma a capacidade do grupo em refletir sobre o cotidiano da escola e suas problemáticas.

            Este sistema de avaliação que está sob a ótica da avaliação democrática, conforme observa Peter Spink citado por Ribeiro (2005, p. 233), implica na utilização de indicadores, meios de coleta de informação, mensuração e atribuição de valor que sejam compreensíveis e reconhecidos como relevantes e de métodos e instrumentos que apóiem o diálogo e a participação de todos.

            De acordo com Ribeiro (2005, p. 234), o projeto Indicadores Qualitativos da Educação na Escola, tem como meta a construção e disseminação de um conjunto de indicadores educacionais qualitativos de fácil compreensão e que proporciona o envolvimento dos diversos setores da comunidade escolar em torno de um processo de avaliação participativa, visando à melhoria da qualidade na escola. Este projeto propõe sete diferentes dimensões, entendidas como aspectos de qualidade da escola: ambiente educativo, prática pedagógica, avaliação, gestão escolar democrática, formação e condições de trabalho dos profissionais da escola, ambiente físico escolar e por fim, acesso, permanência e sucesso na escola.

Justificativa

            Ribeiro (2005, p.236), afirma que os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) foram uma importante referência bibliográfica para a construção dos indicadores na medida em que a concepção de avaliação se insere dentro do contexto como parte do processo educacional voltado para o ajuste e orientação da intervenção pedagógica (1997).

            Se pensarmos em uma escola democrática, justa, que se preocupe com a formação de sujeitos críticos, emancipatórios e responsáveis, com igualdade de condições para todos, faz-se necessário utilizar-se da avaliação como um processo contínuo e de maneira construtivista e que seja global envolvendo todos os sujeitos inseridos de forma contextualizada e dentro da realidade específica.

            A avaliação institucional deverá ser encarada, portanto, como um instrumento de autoconhecimento da realidade escolar com vistas à promoção da sua transformação e melhoria.

Objetivos

Melhorar a qualidade e a eficiência do funcionamento da escola como um todo;

Oferecer subsídios para a efetiva mudança com vistas à melhoria da instituição em geral;

Verificar o cumprimento da premissa básica da educação na perspectiva social;

Averiguar as necessidades materiais de uso permanente ou não, para a devida aplicação dos recursos financeiros;

Conferir as condições de infraestrutura, das instalações físicas;

Analisar o desempenho dos docentes no que se refere ao domínio de seu conteúdo na sua área específica e o desempenho relativo ao domínio de técnicas de ensino-aprendizagem, com o objetivo de acompanhar o desenvolvimento das atividades pedagógicas inseridas dentro do Projeto Político Pedagógico, suas relações entre o planejado e o executado; visando o aprimoramento e revisão da proposta pedagógica;

Apontar caminhos na busca da superação de dificuldades encontradas e de suas insuficiências; oferecendo estratégias metodológicas e pedagógicas para o pleno desenvolvimento das ações;

Disseminação dos acertos e dos sucessos para as suas multiplicidades e,

Examinar o desempenho geral dos discentes para o devido acompanhamento dos casos de evasão, infrequência de estudantes, problemas disciplinares, entre outros.

Metodologia com descrição dos instrumentos a serem utilizados

          A metodologia utilizada para coletar os dados a serem avaliados será baseada no projeto Indicadores Qualitativos da Educação na Escola, composto por um questionário elaborado com perguntas a serem respondidas coletivamente. Para cada um dos sete indicadores/dimensão, haverá um campo de respostas, ou seja, sim, em parte ou não. Além disso, os participantes devem atribuir ao final da avaliação cores (verde, amarela ou vermelha) que melhor refletem a situação da escola com relação a cada indicador. As perguntas referem-se a práticas, atitudes ou situações que qualifiquem os indicadores.

          Os resultados obtidos na pesquisa serão divulgados em um quadro claro e acessível a toda comunidade escolar para que possibilitem a percepção dos problemas e das virtudes da escola com objetivo de fomentar a discussão e decisão nas prioridades de ação.

          Para facilitar o trabalho com a comunidade escolar, os participantes deverão ser distribuídos em grupos por dimensão. Cada grupo deverá ser composto de forma mais heterogênea possível, e em cada grupo será eleito um coordenador e um relator, que será responsável por tomar nota e expor em plenária o resultado da discussão do grupo.

          Os resultados provenientes da avaliação institucional são no sentido de desenvolver ações que visem o aperfeiçoamento e a reconstrução, com o foco na melhoria da qualidade, sem identificar as pessoas envolvidas, examinando e implementando alternativas para que os resultados positivos sirvam para estímulo, ampliação e pleno desenvolvimento da instituição, construindo um ambiente acolhedor, cooperativo e encorajador e para que seja dado o apoio necessário ao trabalho. Para os resultados negativos ou os pontos que apresentem dificuldade, deverão ser tratados sob a ótica da elevação dos indicadores de qualidade na educação que encontram-se prejudicados.

          Um exemplo de metodologia utilizado para análise dos um dos indicadores está no documento Indicadores da Qualidade da Educação (2004, p.31), no qual elaborei um quadro e modifiquei a estrutura original para objetivar o preenchimento. Cada item relacionado possui várias perguntas específicas que poderão ou não ser adotadas, conforme a realidade/contexto de cada instituição.

 
 
 
Indicador: gestão escolar democrática
 
 
 
          Sim
 
 
 
      Em parte
 
 
 
        Não
Caso a resposta seja negativa, descreva:
a) A realidade atual
b) As possíveis providências a serem adotadas para o alcance das metas
 Informação democratizada
 
 
 
 
Conselhos escolares atuantes
 
 
 
 
Participação efetiva de estudantes, pais, mães e comunidade em geral
 
 
 
 
Parcerias locais e relacionamento da escola com os serviços públicos
 
 
 
 
Tratamento aos conflitos que ocorrem no dia a dia da escola
 
 
 
 
Prioridades do uso do recurso do PDAF
 
 
 
 
Participação em outros programas de incentivo à qualidade da educação do governo federal, dos governos estaduais ou municipais
 
 
 
 

Referências Bibliográficas

BELLONI, I. BELLONI, J. Questões e propostas para uma avaliação institucional formativa. In: FREITAS, L. C. (Org.). Avaliação de escolas e universidades. Campinas, SP: Komedi, 2003.
RIBEIRO, Vera Masagão et al. Indicadores de qualidade para mobilização da escola. Cadernos de Pesquisa, v. 35. N. 124, p.227-251, jan/abr 2005.
UNICEF, PNUD, Inep-MEC (coordenadores). Indicadores da qualidade na educação. São Paulo. Ação Educativa, 2004




 

 



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